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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008 - Nº 2061 Edições Anteriores

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Região
Negro banto no Litoral Norte: permanências e mutações


Caraguatatuba
Um caso de amor e fé
As 'relíquias' de Caraguatatuba
Fundacc e o Circuito Cultural Paulista apresentam “Parangolés”, neste sábado (22) às 16h00 na Praça Candido Mota.
Fundacc e Circuito Cultural Paulista apresentam “Palhaços, a Boa e Velha Gargalhada ”, neste domingo (23) às 16h00 no Teatro Mário Covas.
Programa Venda Melhor “Natal”
Dia Consciência Negra é feriado municipal em Caraguá
Futebol feminino de Caraguá conquista título

Ilhabela
A exuberante praia do Bonete!
Aprendendo a transformar bambu em arte
Congresso UMES em Ilhabela
Vereadores aprovam PL 99/2008 com duas emendas

São Sebastião
Relíquia arquitetônica e histórica de São Sebastião
Prefeito anuncia projeto de subsídio do transporte coletivo para reduzir tarifas e ampliar isenções

Ubatuba
Caçandoca: Um 'refúgio' especial
Ciclistas pedalam de São Paulo até Ubatuba neste feriado

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Negro banto no Litoral Norte: permanências e mutações
No período escravocrata, o negro banto era o preferido dentre os prisioneiros trazidos das diversas nações africanas, já que eram excelentes agricultores, com experiência no cultivo do café e da cana-de-açúcar. A saga e a influência desses negros na formação sócio-cultural do Brasil é mostrada em documentário produzido pela Ong Acubalin, de Caraguatatuba.
Bruna Vieira


Litoral Norte - A cultura banto teve origem em países da região centro ocidental do Continente Africano como Angola, Congo, Gabão, Zaire e Moçambique. Uma de suas grandes características é o sentimento de unidade, irmandade e vida em plenitude, e nunca o de separação e morte. Nada os separa com facilidade; nem a própria morte natural é tida como separação. O próprio sistema de ensino dá ênfase aos sentimentos de incorporação e acolhimento. Sua cultura é, também, caracterizada pelo espírito agrário e religioso que protege e defende a vida humana em todos os sentidos.
Os negros afrodescendentes da cultura banto, que vivem no Litoral Norte Paulista, são retratados no documentário "Cultura bantu: permanências e mutações (Nkici na diáspora: raízes religiosas bantu)", que foi lançado no final de 2007 na Universidade de São Paulo (USP). A iniciativa é da Acubalin (Associação de Cultura Bantu no Litoral Norte), uma Organização Não-Governamental sediada em Caraguatatuba, na tentativa de resgatar a influência banto (sobretudo angolana), na formação cultural do Brasil.
Para editar o documentário de 33 minutos, Janaina Figueiredo, historiadora da Acubalin, revela que foi necessário estabelecer um paralelo histórico-cultural entre as tradições do norte de Angola (filmadas em julho de 2005) e as tradições rememoradas nos terreiros de Candomblé e nas danças tradicionais no Litoral Norte de São Paulo.
"Pensar o Estado de São Paulo, sobretudo o Litoral Norte, significa quebrar estereótipos que negam a presença negra em outras regiões fora dos estados nordestinos. É nesse sentido que o documentário se apresenta como um dos primeiros trabalhos voltados à particularização das raízes africanas (banto) no nosso estado", afirma a historiadora.
A cultura caiçara no Litoral Norte preserva diversas manifestações africanas. A memória do negro caiçara se mantém por meio das congadas de Ilhabela e São Sebastião, do moçambique em Caraguatatuba, nos grupos de capoeira, nos terreiros de Candomblé, na memória oral dos negros antigos, na fabricação de panelas de barro (com influência banto), no bairro São Francisco, nos mitos e lendas de Guaecá e Boiçucanga, em São Sebastião, nos quilombos da Caçandoca e Camburi, em Ubatuba, na dança do jongo, entre outros.
As comunidades remanescentes quilombolas em Ubatuba, formadas, em sua maioria, por negros banto, reúnem em média cerca de 50 famílias. Embrenhados nas matas virgens, os quilombos (local de refúgio dos escravos no período colonial) se transformaram em prósperas aldeias que se dedicaram à economia de subsistência. Representavam uma das principais formas de resistência à escravidão.
O Quilombo da Caçandoca foi reconhecido pelo Itesp (Fundação Instituto de Terras) do Estado de São Paulo, em laudo antropológico, em 2000, assim com ocorreu com Camburi em 2005. A origem das duas comunidades ultrapassa os 150 anos.
"Todos estes elementos do negro aparecem no documentário, que é itinerante. Fizemos lançamento em São Paulo (em institutos e universidades) e em Caraguatatuba. Dia 16 de novembro estaremos fazendo o lançamento na Oficina Mazaropi na capital e no dia 23, em Taubaté, á convite da Prefeitura. O público-alvo são educadores e alunos, em cumprimento à Lei 10.639/03, que obriga a inclusão do ensino de história da África e das Culturas Afro-Brasileiras na grade curricular de escolas públicas e privadas. Pretendemos, inscrever o documentário em festivais de cinema nacionais e internacionais", afirma a historiadora.

Rotas da escravidão
Dentre as demais culturas negras, o banto predomina no Litoral Norte e no Vale do Paraíba. Segundo Janaina, os negros banto desembarcavam nos portos de Ubatuba e São Sebastião, no século XVII, para trabalhar com cana-de-açúcar. Com a decadência das plantações de cana, os negros foram levados para Minas Gerais na busca ouro. Os vestígios destas rotas utilizadas por eles estão sendo demarcadas dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, no Núcleo Caraguatatuba.
"Com o desenvolvimento do café, no século XIX, uma nova leva de negros, predominante banto, chegou ao litoral. O Sítio Arqueológico no bairro São Francisco, em São Sebastião, revela vestígios e artefatos arqueológicos do funcionamento de um mercado ilegal de tráfico de escravos", explica Janaina Figueiredo.

Cultura Banto
No livro "Bantos, Malês e Identidade Negra", de Nei Lopes, consta que a identidade do negro no Brasil, principalmente o negro banto, foi predominante no Rio de Janeiro em grande número e um pouco em Recife, Espírito Santo e São Paulo. Ao contrário do que muitos pensam o negro Banto não desembarcou na Bahia. Muitos navios vindos de Angola e Moçambique traziam escravos banto diretamente para o Rio de Janeiro, na época, o maior porto do mundo em escambo (mercado de escravos).
O negro escravizado, sofrido, teve dificuldade em cultuar suas tradições, motivo pelo qual, sua visão de mundo foi re-elaborada num novo contexto e transmitida oralmente, de pai para filho.
O sistema escravocrata não apenas transformava os negros em mercadorias, mas inferiorizava a cultura africana, ocasionando interpretações tortuosas do culto. Para dificultar, muito da tradição foi sincretizada e deturpada pelos senhores de escravos. Segundo o escritor: "grande parte da cultura banto e de seu acervo foram destruídos quando o então ministro Rui Barbosa queimou as obras escritas pelos Apelegis (sacerdotes) da cultura banto. Essa postura revela discriminação com relação ao negro e que ainda nos dias atuais é criticada pelos herdeiros de outras nações de candomblé".

Acubalin
A ONG divulga a cultura da paz, combatendo todas as formas de discriminação racial a partir de ações educativas. Apóia projetos de valorização dos terreiros, pois os consideram espaços de preservação do patrimônio cultural africano e afro-descendente; desenvolve trabalhos de danças populares no Litoral Norte (como o jongo) e ações educativas (projeto África na escola: memória, identidade e educação) com os professores e alunos das escolas municipais.
Por meio da promoção da cultura da não violência, a Acubalin ajuda a combater a intolerância religiosa e o racismo, com a organização de eventos como fóruns regionais de mobilização da mulher, encontros de capoeira, semanas de afro-descendência, oficinas de africanidade, entre outros. Tais eventos contribuem com a luta contra a violência social, política, religiosa, física e mental.
"Mas não paramos por aqui. Dentre as ações políticas que desenvolvemos, estão as oficinas de história da África e culturas afro-brasileiras nas escolas públicas e privadas, em cumprimento à lei 10.639; o tombamento dos terreiros de candomblé do Litoral Norte e o reconhecimento das terras dos quilombos de Ubatuba". Segundo Janaina, a partir do momento em que as pessoas conhecem a cultura banto, não há discriminação, mas assimilação.

Serviço
A Acubalin está localizada na Travessa Dois da Avenida do Perequê Mirim, 223, Caraguatatuba – SP. Telefone: (12) 3887.4752, e-mail: acubalin@acubalin.org.br  ou www.acubalin.org.br.
O negro banto influenciou a cultura brasileira em diversos aspectos, tais como: mitologia, religião, culinária, língua, dança e ritmos. Contribuiu na formação do ritual folclórico brasileiro, com o congo de ouro, contada (que lembra a rainha Ginga de Angola), o maculelê, a capoeira, o maracatu, o samba e artesanato
Na cultura banto, um indivíduo sem a comunidade, separado dos outros ou que exclui os demais, transforma-se em um "ser" sem vitalidade. A pessoa, na cultura banto, sempre se afirma a partir da comunidade: "pertenço, logo sou". Daí o grande princípio banto: "eu sou por que vós sois, e porque vós sois, eu sou".
"O Dia 13 de Maio foi instituído no Brasil e não conquistado. Representa a libertação dos escravos (ocorrida em 1888) e isto é o que está no imaginário das pessoas. Falar de negro com este referencial da escravidão, não é positivo. Este é um momento de reflexão e não de comemoração. Reflexão sobre a exclusão do negro na sociedade, do preconceito com a religiosidade, das manifestações culturais...", da historiadora Janaina de Figueiredo.


Notícias de Caraguatatuba Topo


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Um caso de amor e fé
A estreita relação de Caraguá com seu padroeiro, Santo Antônio, está presente no dia-a-dia da cidade, na cultura e em marcos históricos
Por Bruna Vieira


Caraguatatuba - Caraguatatuba é uma das raras cidades brasileiras a aprovar uma lei municipal em homenagem a seu padroeiro. Nesse caso, a cidade passou a dedicar, a partir de 2003, o mês de junho a Santo Antônio. Esta relação de afeto tem raízes históricas. A então Vila de Santo Antônio de Caraguatatuba nasceu em 1664, no entorno de uma capela dedicada ao santo. A devoção do povo caiçara por seu padroeiro cresceu com o passar dos anos e a festa de Santo Antônio de Caraguatatuba se consolidou como uma das mais prestigiadas e tradicionais da região. Anualmente, a peregrinação da imagem de Santo Antônio dá início à festa litúrgica que culmina no dia 13 de junho, Dia do Padroeiro. Nesse mesmo dia, ocorrem o casamento comunitário, procissão e missa de benção aos pães, celebrada pelo bispo diocesano na Igreja Matriz.
Além do cunho religioso, é uma festa cultural e histórica, que já contou com concursos de trovas, apresentações de esquetes teatrais, além de procissão marítima entre as praias de Massaguaçu e Camaroeiro. Já se criou, inclusive, material literário sobre o tema, como o livreto Lendas de Santo Antonio, com histórias populares do santo na região, além do livro Santo Antônio de Caraguatatuba, Memória e Tradição de um Povo (2000), de autoria do escritor Jurandir Ferraz de Campos.
Uma das edificações mais antigas da cidade é a Igreja Matriz, na Praça Cândido Motta, que homenageia Santo Antônio. Datada do século XVII, recebeu várias reformas, sendo a maior a de 1949, quando foram acrescentadas a cúpula do sino e reforma da lateral da igreja.
Para os enamorados, Caraguá de Santo Antônio é ótimo local para conviver e consolidar uma paixão: para os noivos, é ideal para pedir benções ao casamento "prestes a acontecer"; aos recém-casados, perfeito para a lua-de-mel; para os casados, bem propício para estimular o convívio e propiciar paz e reflexão. E para quem quer um namorado, é o lugar ideal para fazer o pedido a Santo Antônio

Vista panorâmica
O principal mirante da cidade também leva o nome do santo. Com 373 metros de altura, o Morro Santo Antonio proporciona a vista panorâmica mais linda de Caraguá. De lá, avista-se o Centro da cidade com seus novos prédios, a baía da Praia do Camaroeiro, colorida pelos artesanais barcos de pesca, além da Praia Martin de Sá e o belíssimo verde da Fazenda Serramar. Desse local, os aventureiros pilotos de asa-delta e paraglider decolam nos céus da Princesinha do Litoral Norte.
Esse ano, a cidade ganhou o seu Monumento a Santo Antônio, com 16 metros de altura, inaugurado dia 8 deste mês. A imagem conta com iluminação de fibra ótica feita com lâmpadas econômicas em quatro cores sincronizadas, que pode ser vista em 80% da cidade.
O monumento foi erguido de frente à Matriz, tendo como modelo a réplica de 200 anos que se encontra no altar da igreja. O escultor Irineu Migliorini diz que não haveria local mais apropriado para a construção da imagem do que o mirante. "As mãos de Santo Antônio abençoam a cidade. É muito gratificante construir um monumento em homenagem a este grande santo, por tudo que ele representa para Caraguá e para o mundo".

Caminho de Santo Antônio
Discute-se, atualmente, a criação do Caminho de Santo Antônio de Caraguatatuba. Trata-se de um percurso de caminhada de cerca de 25 km, passando por locais turísticos e históricos relacionados a Santo Antônio e por diversos tipos de solo: areia da praia, rochas costeiras, trilhas na Mata Atlântica, estradas rurais, paralelepípedos, bloquetes e asfalto. Engloba uma área que vai da foz do Rio Juqueriquerê, na região sul, até a Capela da Santíssima Trindade, na Massaguaçu, região norte.
O secretário de Turismo de Caraguá, Ricardo Ribeiro, explica que o projeto do Caminho de Santo Antônio ficou adormecido pela iniciativa privada, e que o poder público não tem condições de implantá-lo sem parcerias.

As 'relíquias' de Caraguatatuba
Um passeio pelas ruas centrais de Caraguatatuba representa um manancial de pequenas e agradáveis surpresas, principalmente para aqueles que gostam de história, de tranqüilidade e de clima interiorano, apesar de ser uma bela cidade litorânea.
Bruna Vieira


Caraguatatuba - Imagine a cena: uma charmosa praça, árvores robustas que garantem sombra e frescor, crianças alimentando pombinhos e pessoas a andar e conversar pelo calçadão de mosaico. Durante a primavera, tudo isso ainda é enriquecido por tulipas que colorem o relógio de sol. Ah! E como não podia deixar de ser, tem também um coreto decorado por azulejos, bem ao estilo português.
A cidade nasceu e se desenvolveu ao redor da Praça Dr. Cândido Motta, esta que acabamos de descrever e que leva o nome do então secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, desde 1919. As residências, armazéns, Câmara Municipal e outros logradouros que a praça abrigava no final do século XIX, deram lugar às atuais lojas de departamento, restaurantes, bancos e shopping.
Nela há de tudo, inclusive variadas e boas opções gastronômicas, capazes de agradar tanto a quem quer uma boa e farta refeição, quanto àqueles que apenas querem curtir um pôr-do-sol, com um tira-gosto. Em dias quentes, a dica é provar o picolé de coco na sorveteria Danilo. As noites de sexta-feira são animadas por Nhô Vair e convidados que tocam no coreto músicas sertanejas. Aos sábados, após a missa na Igreja Matriz, é a vez da Banda Municipal Carlos Gomes. A pipoca é obrigatória!

Edificações históricas
A Igreja Matriz de Santo Antônio data do século XVII e simboliza a perenidade da cidade. "A primeira grande reforma da Matriz aconteceu em 1949, quando foram construídas a cúpula do sino e a parte lateral da igreja. Hoje, sua arquitetura está descaracterizada, por isso não pode ser tombada. Mas é um monumento preservado", explica a historiadora Luzia Toledo Prado, do Arquivo Público Municipal.
No interior da igreja, os azulejos pintados retratam três momentos da vida de Santo Antônio. Os fiéis mantêm a devoção pelo santo casamenteiro, participando ativamente da Festa do Padroeiro que acontece em julho.
O antigo coreto, construído na década de 30, abrigou diversos festejos populares, até que, em 1971 foi demolido dando lugar ao atual, cujas paredes são recobertas por azulejos em estilo português. Em janeiro, acontece o projeto Coreto em Sol com apresentações de grupos regionais de chorinho e música popular brasileira.
A Praça Cândido Motta abriga ainda a Fonte Luminosa, o Obelisco e o Relógio de Sol. A atração da Fonte Luminosa, inaugurada na década de 60, era o 'balé' de águas, que se movimentavam ao compasso de músicas clássicas. Ela foi restauração recentemente.
O Obelisco da Torneira, inaugurado em 1919 pelo então presidente do Estado de São Paulo, Altino Arantes, simboliza a época de saneamento básico na cidade, como explica Luzia: "Havia distribuição de água encanada, mas não era tratada".
Já a inauguração do Relógio de Sol, segundo a historiadora, fez parte das comemorações do Centenário da Cidade, em 1957: "O engenheiro Accacio Villalva queria um monumento de evocação visual que demonstrasse o quão importante o caraguatatubense sentia-se naquele ano. O Poder Municipal estuda a possibilidade de tombar o Obelisco e o Relógio de Sol, pois são edificações que se mantém sem modificações".

Museu de Arte e Cultura
As ruas centrais de Caraguá ainda abrigam duas edificações históricas, o Pólo Cultural e o Prédio da Setur. Durante 60 anos, o Grupo Escolar Adaly Coelho Passos funcionou no prédio onde hoje está o Pólo Cultural. Desde 1999, o local abriga o Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba –MACC, o Arquivo Público Arino Sant'Ana de Barros, a Biblioteca de Arte, a Videoteca Lúcio Braun e a Praça do Caiçara.
A Praça do Caiçara abriga uma fonte, cuja base em formato de caraguatá (espécie de bromélia) representa a planta que nomeia a cidade e no centro, quatro canoas remetem as comunidades pesqueiras da cidade. O local também abriga um parque de diversão para crianças -com escorregador, gangorra e balanço-, mesas de mosaico para jogos de tabuleiro, uma pergula (caminho de flores sustentado por colunas e estacas de madeira). O Memorial Brasil 500 Anos reúne desenhos premiados de estudantes da cidade, transpostos em cerâmica queimada.
No Prédio da Setur (Secretaria de Turismo), na Praça Diógenes Ribeiro de Lima, ocorre, nos finais de semana e feriados, a tradicional Feira de Artesanato. Em 2004, o Prédio foi restaurado com base no original, datado da década de 1960. Esta foi uma das primeiras edificações de arquitetura moderna na cidade.

Fazenda dos Ingleses
Distante 5 quilômetros do centro da cidade está a antiga Fazenda dos Ingleses. Este sítio arqueológico com casarões, cinema, igrejinha, posto de saúde e trilhos, abriga, hoje, a Fazenda Serramar, pertencente ao grupo Serveng Civilsan, que mantém atividades de pecuária e extração de areia. A arquitetura do local está preservada nas 105 casinhas amarelas com detalhes em verde habitadas por cerca de 80 empregados da Serramar.
Descrita por Marino Garrido, a história da Fazenda foi publicada em livro em 1988. Nele, consta que a Fazenda ficou ativa entre os anos 1927 a 1968 e foi a maior produtora de fruticultura do litoral paulista. Foram tempos áureos. A produção exportada para Inglaterra era estimada em 40 mil cachos de banana e 35 mil caixas de laranja toda semana. O número de empregados chegou a 2.800 pessoas, que recebiam o equivalente a dois salários mínimos. Nas horas de folga, eles se divertiam em bailes, cinema e nos jogos de futebol e pólo.
Por meio de uma linha férrea de 80 quilômetros, a colheita era levada para o cais fluvial no Porto Novo. Havia ali um sistema de armazéns, uma fábrica de aguardente e outra para beneficiar laranjas. Fazia-se o transporte até o canal de São Sebastião, em frente a Ilhabela. Os navios da companhia Blue Star Line eram abastecidos e seguiam para a Inglaterra numa viagem de 12 dias.
Nas oito horas de duração do embarque das frutas, a companhia Blue Star Line proporcionava duas opções de passeio aos turistas. Os que preferiam praia eram levados para Ilhabela, e os que optavam por campo, conheciam a Fazenda.
Durante a 2ª Guerra Mundial, a Fazenda foi prejudicada porque as frutas não podiam ser exportadas para a Inglaterra. A crise se agravou em 1967 quando ocorreu em Caraguatatuba a grande catástrofe (tromba d'água) que dizimou a população. Com metade da Fazenda destruída, ela foi definitivamente desativada.

Serviço
O Pólo Cultural Adaly Coelho Passos fica na praça Dr. Cândido Motta, 72, Centro. Visitação de terça a domingo, das 10 às 18 horas com entrada gratuita. A Fazenda dos Ingleses, hoje Serramar, fica na Rodovia Rio Santos (SP-55), Km 5, sentido Caraguá/São Sebastião. É necessário solicitar previamente a permissão de entrada.
Monumentos como a Igreja Matriz, o Obelisco, o Relógio de Sol, o Coreto, a Fonte Luminosa, o Pólo Cultural, o Prédio da Setur e a Fazenda dos Ingleses, fazem parte do passeio histórico por Caraguatatuba.

Água Viva Coral apresenta seu novo concerto “Caminhos da Terra”, dia 22 no Teatro Mário Covas.

Caraguatatuba - A Fundacc (Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba) e o Água Viva Coral, convida todos para prestigiar o Concerto Caminhos da Terra, dia 22 às 21h00 no Teatro Mario Covas.
O Água Viva Coral é composto por profissionais das mais diversas especialidades e estudantes, sob a regência da maestrina Eliana Bañeza.
É um coral performático que interpreta músicas através da voz e do corpo intercaladas com esquetes teatrais, poesias dramatizadas e contos. Canta e interpreta tanto músicas populares como eruditas tudo feito com exigência profissional de qualidade técnica e cultural!
O concerto deste ano traz músicas regionais e populares, desejando inspirar imagens da gente que sai do interior em busca de sonhos na cidade grande e da gente que nasce, vive e morre em sua amada terra. Imagens do campo, dos amores, do cotidiano, do trabalhador e sua luta pela sobrevivência.
 
Serviços:
Concerto Caminhos da Terra –Água Viva Coral
Local: Teatro Mário Covas
Endereço: Avenida Goiás, 187 - Indaiá.
Cidade: Caraguatatuba/SP
Tel.: (12) 3881-2623
Horário: 21h Data: 22 /11/08
Entrada: r$ 10.00 (inteira) e r$ 5.00 (meia ).
(Fonte: Fundacc)

Fundacc e o Circuito Cultural Paulista apresentam “Parangolés”, neste sábado (22) às 16h00 na Praça Candido Mota.

Caraguatatuba - A Prefeitura Municipal de Caraguatatuba e a Fundacc – Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba apresentam “Parangolés –Cia Teatro e Dança Mariana Muniz ” pelo Circuito Cultural Paulista.
A Companhia Teatro e Dança Mariana Muniz tem uma carreira de trabalhos de investigação cênica sobre as conexões expressivas entre poesia e movimento. Essa iniciativa de encenar “Parangolés” surgiu do estudo da obra de Hélio Oiticica, que conseguiu unir, por meio do conceito parangolé, samba, poesia, música e movimento.
O espetáculo se propõe, ao investigar a obra do artista brasileiro, questionar o corpo que dança e suas matrizes geradoras de movimentos, a partir de conceitos encontrados no livro "A Estética da Ginga" de Paola B. Jacques.
“Parangolé” é um projeto que dá continuidade à pesquisa que a Cia. Teatro e Dança Mariana Muniz desenvolve, desde 2000, sobre as relações entre palavra e movimento, poesia e dança contemporânea, e aprofunda o contato da companhia com um objeto de pesquisa – o samba.
A apresentação acontecerá na Praça Candido Mota, dia 22 às 16h00 a entrada é franca.

Serviços:
“Parangolés – Cia Teatro e Dança Mariana Muniz ” – Circuito Cultural Paulista
Local: Praça Candido Mota
Cidade: Caraguatatuba/SP
Tel.: (12) 3881-2623
Horário: 16h Data: 22 /11/08
Entrada: Gratuita
(Fonte: Fundacc)

Fundacc e Circuito Cultural Paulista apresentam “Palhaços, a Boa e Velha Gargalhada ”, neste domingo (23) às 16h00 no Teatro Mário Covas.

Caraguatatuba - A Prefeitura Municipal de Caraguatatuba e a Fundacc – Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba apresentam “Palhaços, a Boa e Velha Gargalhada” da Cia.Monocirco pelo Circuito Cultural Paulista.
A vaidade de Gelatina, o clown branco, a pompa de Sr. Zezonho, o mestre de pista, e as trapalhadas de Saltim, o palhaço da companhia, formam a tríade da tradicional comédia circense.
Figurinos luxuosos e produção impecável fazem de "Palhaços - A Boa e Velha Gargalhada" um espetáculo minucioso, com o glamour do "tradicional circo de cavalinhos", uma comédia capaz de agradar a adultos e crianças.
A apresentação acontecerá no Teatro Mário Covas, dia 23 às 16h00 a entrada é franca.

Serviços:
Palhaços ,a Boa e Velha Gargalhada – Circuito Cultural Paulista
Local: Teatro Mário Covas
Endereço: Avenida Goiás, 187 - Indaiá.
Cidade: Caraguatatuba/SP
Tel.: (12) 3881-2623
Horário: 16h Data: 23 /11/08
Entrada: Gratuita
(Fonte: Fundacc)

Programa Venda Melhor “Natal”
Para o próximo Natal o Sebrae está oferecendo quatro encontros gerenciais para ajudá-lo a aproveitar a data para vender mais e conquistar novos clientes.

Caraguatatuba - O programa “Venda Melhor” visa orientar os lojistas e comerciários a aprimorar a gestão de sua empresa e impulsionar as vendas, principalmente nas datas comemorativas, neste momento NATAL, as palestras serão ministradas por consultores do Senac e terão duração de 02 horas, totalmente gratuito.

COMO CONTRATAR MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA
Data: 25/11/2008
Horário: 19horas
Local: Associação Comercial de Caraguatatuba
O objetivo é informar sobre os diversos tipos de Contrato de Trabalho existentes, mostrando Alternativas de contratação viáveis para suprir períodos de picos no movimento.

COMO ESTIMULAR SUAS VENDAS
Data: 01/12/2008
Horário: 19horas
Local: Associação Comercial de Caraguatatuba
O objetivo é apresentar as táticas de promoção de vendas acessível a empresas de qualquer porte.
Demonstrar o uso das principais técnicas de promoção para incrementar as vendas da empresa

PREPARE SUA LOJA PARA VENDER MAIS
Data: 02/12/2008
Horário: 19horas
Local: Associação Comercial de Caraguatatuba
O objetivo é orientar em como preparar a loja para aumentar as vendas no varejo. Apresentando ferramentas de incentivo as compras; comportamento do consumidor; compras por impulso; formas de apresentação dos produtos e promoções.

COMO ATRAIR CLIENTES
Data: 03/12/2008
Horário: 19horas
Local: Associação Comercial de Caraguatatuba
O objetivo é orientar como divulgar a empresa destacando as principais estratégias, ferramentas e veículos mais adequados à micro e pequena empresa

Fique atento, prepare-se, planeje as suas ações e boas vendas!
Vagas Limitadas
Informações e Inscrições:
POSTO SEBRAE DE ATENDIMENTO AO EMPREENDEDOR
Telefone: (12)3897-8198 e-mail: pae.caragua@gmail.com
Rua: Siqueira Campos, 44-Centro - Caraguatatuba.
Sebrae

Dia Consciência Negra é feriado municipal em Caraguá
Em Caraguá, o Dia da Consciência Negra é celebrado com feriado municipal. Por isso, a Prefeitura Municipal decretou ponto facultativo nesta sexta-feira. O expediente retorna à normalidade na próxima segunda-feira

A Prefeitura de Caraguatatuba não terá expediente nesta quinta e sexta-feira, conforme o calendário municipal de 2008, publicado no informativo oficial do município, no ano passado.
Nesta quinta-feira, 20 de novembro, de acordo com a SECAD – Secretaria da Administração, em razão de tratar-se de feriado municipal, quando se comemora o Dia da Consciência Negra, não haverá expediente, e isso se dará também na sexta-feira, em razão do ponto facultativo decretado pelo Executivo.
Vale lembrar que não haverá expediente nas repartições, mas os serviços essenciais como o de coleta de lixo e ambulância, continuarão em funcionamento.
A Prefeitura de Caraguá informa que o expediente retorna à normalidade na próxima segunda-feira, dia 24 de novembro.
Saiba um pouco mais sobre o Dia da Consciência Negra
O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Apesar das várias dúvidas levantadas quanto ao caráter de Zumbi nos últimos anos (comprovou-se, por exemplo, que ele mantinha escravos particulares) o Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte forçado de africanos para o solo brasileiro (1594).
Algumas entidades como o Movimento Negro (o maior do gênero no país) organizam palestras e eventos educativos, visando principalmente crianças negras. Procura-se evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.
Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc.
O dia é celebrado desde a década de 1960, embora só tenha ampliado seus eventos nos últimos anos; até então, o movimento negro precisava se contentar com o dia 13 de Maio, Abolição da Escravatura – comemoração que tem sido rejeitada por enfatizar muitas vezes a "generosidade" da princesa Isabel, ou seja, ser uma celebração da atitude de uma branca.
A semana dentro da qual está o dia 20 de novembro também recebe o nome de Semana da Consciência Negra. (fonte: Wikipedia)
(Fonte: Prefeitura Municipal de Caraguatatuba)

Futebol feminino de Caraguá conquista título

Caraguatatuba - A equipe Sub-18 de Caraguatatuba foi campeã do Campeonato Municipal de Cachoeira Paulista 2008 .
Na final, as meninas de Caraguá derrotaram São José do Barrero por 2 a 1, com dois gols da craque Tatinha, que foi a artilheira da competição, com 12 tentos marcados.
A cidade de Caraguatatuba teve também a goleira menos vazada do campeonato. Gisele sofreu apenas 6 gols.
(Fonte: Prefeitura Municipal de Caraguatatuba)

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Mazzei

A exuberante praia do Bonete!
Um lugar para viver momentos simples e inesquecíveis! Aqui 'há tempo' para respirar ar puro, curtir a bela paisagem, experimentar o clima de romance, ficar perplexo com a beleza da natureza, sentir o carinho e acolhimento dos moradores...
Bruna Vieira


Ilhabela - A comunidade tradicional da Praia do Bonete reúne cerca de 400 pessoas, a maioria caiçara. Localizada no sul de Ilhabela, a 31 quilômetros da balsa, esta é uma praia ideal para quem quer esquecer a correria do dia-a-dia. O acesso é feito por mar, com canoas típicas de pescadores, ou por terra, por meio de uma trilha de 15 km -4 horas de caminhada-, passando por límpidas cachoeiras. Não importa o meio de chegar, a aventura é sempre garantida!
O cenário do Bonete é assim: canoas coloridas 'estacionadas' em cima de uma areia fofa, mar azul rodeado de montanhas cheias de coqueiros, muitas árvores chapéus-de-sol na praia, um rio transparente, o Nema, de um lado e, do outro, altas ondas para a alegria dos surfistas. Casas em estilo simples do velho caiçara. Ah, os moradores, amáveis, amorosos e receptivos. As crianças brincam com as folhas na areia, os jovens consertam as redes de pesca, os adultos 'proseiam' ressaltando um linguajar peculiar.
A ausência de luz elétrica e a inexistência de automóveis garantem a tranqüilidade do local. O contato dos 'boneteiros' com o mundo é feito por meio de rádio, televisão -movida a gerador-, e de dois telefones públicos via satélite. A vila abriga uma escola municipal, um posto de saúde e uma quadra poliesportiva. A visita mensal do médico e do dentista é aguardada ansiosamente pela comunidade.
Décadas atrás, a principal fonte de renda da comunidade era a pesca, hoje o turismo predomina. O Bonete oferece hospedagens variadas, desde campings até uma pousada requintada. Alguns moradores alugam quartos ou a própria casa durante a temporada de verão. Mas a média de visitantes é de 8 mil pessoas por ano, ou seja, dificilmente a praia estará lotada.

Por mata ou mar...
A trilha de acesso à praia do Bonete reserva boas doses de adrenalina e passa pelas cachoeiras da Laje e do Areado. A trilha de 15 quilômetros começa na estrada do bairro da Sepituba, extremo sul de Ilhabela, onde há um estacionamento. Ao entrar em área de preservação do Parque Estadual, a dica é apreciar as espécies variadas de árvores e plantas nativas, pássaros, lagartos e outros encantos da natureza.
O grau de dificuldade varia. O peso da mochila (ou prancha) influencia na velocidade e na dificuldade das subidas. As cachoeiras podem ser um desafio para os que não gostam de andar sobre pedras. A média de tempo para completar o percurso é de três a quatro horas e meia, sem parar.
Os que preferirem ir de barco com os 'boneteiros', podem apreciar o verde da Mata Atlântica e as mansões que circundam a costa do arquipélago. Passar pela Ponta da Sepituba e observar o buraco do cação (uma caverna dentro do costão) é emocionante! A natureza, infinitamente bela, revela formas irreverentes como o Pico do Papagaio.

O que fazer neste paraíso?
Os aventureiros 'privilegiados' que puderem passar mais de um dia no Bonete têm a opção de conhecer as praias de Enchovas (1 hora de caminhada), e Indaiauba (2 horas de caminhada).
Saindo de uma trilha no meio da vila, passa pela ponte da cachoeira do Pau Oco, percorre cerca de dois quilômetros até encontrar Enchovas. Mais um quilômetro, chega-se à maravilhosa Indaiauba. Ambas praias calmas e boas para descanso. À noite, o espetáculo fica por conta do céu estrelado e da lua.
Os surfistas têm lugar garantido no mar do Bonete, que apresenta ondas de até 3 metros. Os praticantes do mergulho livre podem se divertir no costão esquerdo da praia. O rio Nema garante a diversão das crianças. Depois da praia, a dica é mergulhar numa corredeira, cachoeira ou piscina natural, atrás da Vila. Não deixe de fotografar a esplêndida paisagem do mirante.
Aproveite para se deliciar com os sanduíches do Mac Bonet's, com as porções de camarões e lulas dos quiosques e com a comida caiçara servida nos poucos restaurantes. Depois desse dia 'completo', sente para bater um papo com os moradores locais e desvendar as muitas histórias locais.

Paixão, Hélio, Agnaldo, Rosália...
Os moradores do Bonete são o que há de melhor nesta praia exuberante. Paixão, casado com a encantadora Rosália, revela: "Este é o melhor lugar pra se morar. Estou aqui há 80 anos. Fui pescador, depois passei a tomar conta das terras do Ademar de Barros, hoje vendidas. Namorei aqui mesmo, casei e tive quatro filhos. Hoje estou aposentado". Dona Rosália explica que a principal festa na vila é a de Santa Verônica, em julho: "quando tem reza e baile".
Hélio de Souza, caiçara nascido no Bonete, foi para cidade trabalhar com 15 anos. Viajou o país como comandante de embarcação. "Era muito duro. Me lembro das noites que passava molhado, com frio, no meio da tempestade. Por isso, decidi voltar pro Bonete", afirma. Hoje, desfrutando de sua terra natal, ele ensina a fazer o tradicional prato da culinária caiçara, o azul marinho.
"Limpa o peixe, põe na panela pra cozinhar, acrescenta coentro e cheiro verde e por último a banana nanica verde amassada. Esta é a receita tradicional. Hoje, o peixe é cozinhado separado da banana-picada e não amassada. Com o caldo do peixe fazem o pirão", explica.
Hélio ajudou a fundar a Associação de Moradores do Bonete em 1998. De lá para cá, muitas melhorias foram conseguidas junto ao poder público, a exemplo de um curso para os moradores aperfeiçoarem o turismo receptivo como fonte de renda. "No último reveillon, recebemos cerca de 3.500 pessoas, dez vezes a população local".
Segundo Agnaldo de Souza, um dos lugares mais curiosos do Bonete é a Toca do Negro, uma espécie de caverna em cima da montanha, que teria servido de esconderijo a escravos. "Um dos primeiros escravos que passou por aqui se chamava Stevan. Ele deu nome à antiga trilha de acesso à vila, conhecida como Caminho do Stevan".

Serviço
Saídas de barco com 'boneteiros' no Tebar Clube, em São Sebastião. A viagem dura em média 2 horas e varia de R$ 15 a R$ 40 por pessoa. As canoas costumam ficar por lá das 6h às 14h. A viagem pela manhã é mais confortável, pois o mar é mais calmo e venta menos. Em lanchas, que partem da praia do Perequê, o percurso é feito em cerca de 40 minutos. A pé, por trilha, a caminhada é feita em cerca de 4h30, a partir da ponta da Sepituba. O Bonete tem dois telefones públicos, via satélite: (12) 3894-7000 e (12) 3894-7001.

Além do ar puro, belíssimas cachoeiras e o mar onde rolam altas ondas, ideais para o surfe, o Bonete conta com o belíssimo Rio Nema, que deságua na praia. Verdadeiro paraíso onde o tempo parece ter parado.
Quem conhece o Bonete concorda, é uma das praias mais bonitas de Ilhabela, com uma vila acolhedora, alcançada apenas por barco ou longa caminhada. Uma coisa é certa, vale cada minuto desta aventura

Aprendendo a transformar bambu em arte
Balaios, abajures, luminárias, cestas, bolsas, suporte de panela, peneiras... Tudo isso é feito com bambu de taquaruçu.
Bruna Vieira


Ilhabela - Não há livro didático nem medidas exatas para aprender a transformar bambu em arte. O conhecimento da moradora da Ilha de Búzios (Ilhabela) Benedita Aparecida Leite Costa, a Ditinha, foi adquirido na infância, quando ela olhava sua avó fazer cestas para a casa.
"Na minha adolescência eu fazia as cestas 'por fazer'. Não adiantava produzir mais porque não tinha para quem vender. Até que um, fui para a cidade levando os balaios e um 'turco' se interessou. Nos animamos porque ele pagava em dinheiro. Éramos uma dez mulheres que há cerca de 22 anos começamos a produzir por encomenda. Depois disso nunca mais parei. Foi com este dinheiro que ajudei minha filha a estudar. Hoje ela faz curso técnico de enfermagem e trabalha no Posto de Saúde", confirma a artesã caiçara.
Há seis anos Ditinha é monitora da Fundação e Arte e Cultura de Ilhabela onde ensina artesanato. Todo semana, ela, seu marido e filho, enfrentam uma viagem de 2 horas e 30 minutos de barco (percurso da Ilha de Búzios ao Centro de Ilhabela) para ministrar a oficina de arte. "E já tem alunas que estão fazendo para vender", relatou a artesã com sorriso de 'dever cumprido'.
A queixa de Ditinha é do desinteresse dos mais jovens em aprender a fazer artesanato. "Só os mais velhos querem aprender a fazer os balaios. Os mais novos não têm vontade, nem lá na comunidade. No começo o bambu corta e machuca a mão, mas depois a pessoa 'pega o jeito'", relata a artesã que consegue produzir até 25 peças por mês.
Devido à repetição dos movimentos da mão, Ditinha está com tendinite. "O médico me alertou sobre esta doença crônica. Mas não consigo ficar sem produzir. Virou um vício 'bom'. É uma terapia quando estou embalando. Nos dias que a mão dói muito, paro semanas e melhoro. Os remédios ajudam também", confirma a experiente Ditinha.
O processo de fabricação dos objetos começa com a escolha do bambu taquaruçu (que não junta bicho e dura décadas), depois segue o corte do bambu em tiras de três a cinco milímetros de espessura e, por fim, 'embala' (trança as varetas). "Imagino a peça antes de fazer, mas não tem medidas. Sempre começo com a vareta mais fina e depois aumento. Todas as peças ficam iguais, a não ser quando quero criar um objeto novo", explicou a caiçara de 46 anos.

Fibra da bananeira
Quem olha um monte de folhas secas cumpridas, conhecidas como fibra de bananeira, não imagina o que pode ser feito com este material. Além de transformar bambu em objetos utilitários e decorativos, Ditinha também ensina os alunos das oficinas, a transformarem esta fibra em chapéus, bolsas e tapetes.
Os instrumentos de trabalho de Ditinha são: estiletes, cola, sementes, bambus e fibras. Para fazer um chapéu de fibra de bananeira, por exemplo, ela corte em tiras as fibras e começa a trança de quatro. "Depois costuro com linha de pesca transparente, as tiras de trança. Nos feixes das bolsas uso semente de coronha (um tipo de cipó). Quase não uso cola. Fico feliz quando encontro um turista com a bolsa feita por mim, depois de muitos anos. Tanto o bambu como a fibra da bananeira, não junta bicho, só a cor que fica mais amarela com o tempo", concluiu a artesã.

Serviço
Os artesanatos de Ditinha podem ser apreciados e comprados na loja da Fundação Arte e Cultura de Ilhabela, na rua Dr. Carvalho, nº 80, Centro. As aulas de artesanato são ministradas no mesmo local, gratuitamente, as terças e quartas-feiras, das 14h às 16h. Informações pelo telefone (12) 3896.1747.

Congresso UMES em Ilhabela

Ilhabela - A UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Caraguatatuba) e UPES (União Paulista dos Estudantes Secundaristas) estarão promovendo nesta quinta-feira, 20, o Congresso de Fundação da UMES de Ilhabela. O evento será realizado na Escola Estadual Dr. Gabriel Ribeiro dos Santos, na Vila, a partir das 14h. Para este encontro foram convidados estudantes, educadores e representantes da comunidade e também a dirigente regional do ensino, Edna Paula.
O objetivo é conscientizar o estudante sobre o seu papel na sociedade, assim como seus direitos e deveres, além de eleger a presidência da UMES em Ilhabela. Na ocasião serão debatidos assuntos como a aprovação do Estatuto, aprovação de projetos, entre outras propostas.
(Fonte: Prefeitura Municipal de Ilhabela)

Vereadores aprovam PL 99/2008 com duas emendas
Em sessão extraordinária a Câmara de Ilhabela aprovou o projeto de lei que dispõe sobre o receptivo de navios de cruzeiro

Ilhabela - A Câmara Municipal de Ilhabela realizou uma sessão extraordinária hoje (19/11) para votar o Projeto de Lei nº 99/2008, de autoria do suplente de vereador e ex-secretário municipal de Turismo, Ricardo Fazzini (PMDB), que substituiu em julho deste ano o Vereador Carlos Alberto de Oliveira Pinto (Carlinhos-PMDB).
O projeto de lei, que foi aprovado por unanimidade entre os vereadores presentes, estabelece os procedimentos exigidos para o receptivo de navios de cruzeiro em Ilhabela.
O vereador Carlinhos apresentou duas emendas ao projeto que também foram aprovadas. A emenda nº 41/2008 mudou o artigo 1º do projeto, segundo o qual – com alteração - ficam estabelecidos os procedimentos para permissão de uso público aplicáveis aos receptivos. Ainda de acordo com a emenda, os veículos e embarcações usados na atividade deverão portar cadastro obrigatório da empresa com atividade regular no município de Ilhabela, e certificado de propriedade do veículo, ou embarcação em nome do proprietário, ou da empresa ou contrato de locação, sendo obrigatório o envio de cópia do documento para a Secretaria Municipal de Turismo.
A emenda ainda acrescentou que todos os veículos deverão passar por uma vistoria anual, realizada por mecânico credenciado para comprovação do bom estado de conservação e que o requerimento de vaga nos stands montados no receptivo deverá ser acompanhado do contrato de constituição da empresa e da comprovação de que a empresa esteja em atividade e sediada em Ilhabela há mais de seis meses. O artigo 5º do projeto também foi modificado pela mesma emenda prevendo que o Executivo regulamentará a lei no prazo de dez dias, a contar da data da sanção, sendo que de acordo com o texto original do projeto a lei entraria em vigor na data de sua publicação.
Também de autoria do vereador Carlinhos, a emenda nº 42/2008 prevê que a empresa poderá utilizar somente um veículo que não seja de sua propriedade, através de locação, para a prestação de serviços do receptivo e que o uso dos stands será regulamentado através de Portaria da Secretaria Municipal de Turismo.
O Vereador Carlinhos justificou suas emendas informando que as modificações propostas foram sugeridas pelos participantes da Audiência Pública promovida pela Câmara para a discussão do projeto de lei. Participaram da audiência, que durou quase quatro horas, cerca de oitenta pessoas entre empresários e profissionais do setor.
O momento da votação teve a presença do Presidente da Câmara, o Professor Joadir Capucho (PTB) e dos vereadores Carlinhos, Nanci Zanato (PPS), Luiz Lobo (PSDB), Zeca do São Pedro (PTB) e Beto Campos (sem partido). A sessão extraordinária também foi acompanhada por diversos representantes do segmento turístico que pretendem prestar serviços durante a temporada de navios.
(Fonte: Câmara Municipal de Ilhabela)

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Relíquia arquitetônica e histórica de São Sebastião
A Igreja e o Convento de Nossa Senhora do Amparo compõem os cenários mais belos e interessantes do bairro São Francisco. Com 340 anos, estão entre os prédios mais antigos da cidade, com significativo valor histórico e cultural.
Bruna Vieira


São Sebastião - Entre os anos de 1550 e 1650, os portugueses construíram muitas obras religiosas no litoral brasileiro, a exemplo dos conventos de Santo Antônio do Valongo, em Santos e o de Nossa Senhora da Conceição, em Itanhaém, ambos no litoral sul, e o de Nossa Senhora do Amparo, em São Sebastião, litoral norte, ponto de referência da obra evangelizadora franciscana na região.
A presença franciscana no Brasil teve início com o descobrimento, em 1500, e a primeira missa, logo após a chegada de Pedro Álvares Cabral, foi celebrada por frei Henrique de Coimbra, um franciscano, de acordo com frei Sergio Sebastião Pagan, do Convento de Nossa Senhora do Amparo.
Na então Vila de São Sebastião, os franciscanos chegaram por volta de 1650. No bairro de Itararé (que significa pedra cantante), existia uma pequena ermida, dedicada a Nossa Senhora dos Desamparados, e os moradores locais pediram a frei Pantaleão Batista a construção de um convento.
Após quatro anos, com a construção quase pronta, celebrou-se em 8 de setembro de 1668, a primeira missa no Convento de Nossa Senhora do Amparo, data ainda comemorada como o Dia da Padroeira. A partir de então, o bairro passou a ser conhecido como Bairro de São Francisco.
Segundo frei Sérgio, o convento servia como refúgio de pescadores e acolhia os doentes do bairro. "Os frades franciscanos tinham a preocupação naquela época de construir uma igreja, um hospital e uma escola. Os freis ajudaram a fundar outras igrejas na região, como a Matriz de Santo Antônio, em Caraguatatuba, participaram também na Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda, em Ilhabela e na Paróquia de São Sebastião".
Por volta de 1730, residiam no convento 16 freis. Porém, em outros períodos, eles chegaram a mais de 20 religiosos. "A bagagem cultural trazida pelos freis da Europa era muito grande. Os conventos eram tidos como centros culturais e educacionais. Ali os freis ensinavam a comunidade a ler e escrever, a usar a terra e o mar como fontes de alimentação, além de transmitirem o conhecimento adquirido nas universidades européias".
Ainda segundo frei Sérgio Pagan, a educação superior no mundo recebeu forte influência de ordens religiosas. "Eles fundaram importantes universidades como a de Sorbonne na França, Harvard nos Estados Unidos, Oxford na Inglaterra, entre outras". No Brasil, a Faculdade de Direito de São Paulo, no largo do São Francisco, foi instalada no prédio do convento. "As escolas tradicionais no Brasil, assim como as Santas Casas, foram administradas por religiosos como, por exemplo, o Colégio Notre Dame (que significa Nossa Dama ou Nossa Senhora em francês) e o Sacré (Sagrado Coração de Jesus)".
A forte influência dos freis franciscanos na educação e saúde no país foi interrompida a partir de 1750, com o decreto do Marquês de Pombal, que determinou o fechamento de todos os noviciados no Brasil, e proibiu a admissão de novos candidatos à vida religiosa franciscana.
Com a drástica redução do número de frades, o Convento de N. S. do Amparo, tal como aconteceu com os demais conventos do país, ficou vazio e a igreja diminuiu o atendimento aos fiéis. Assim, muitos conventos se deterioraram e viraram ruínas.
Desse período até sua restauração, em 1932, o Convento em São Sebastião esteve sob a guarda de síndicos. Com o advento da República, o noviciado foi novamente aberto no Brasil. Frades europeus chegaram ao país e retomaram os trabalhos de evangelização a partir dos antigos conventos franciscanos, que, por sua vez, foram sendo restaurados.
O restauro do Convento de Nossa Senhora do Amparo e sua igreja deram-se no período de 1932 a 1937, com recursos da própria Província Franciscana. Neste mesmo ano, dois sacerdotes e dois leigos passaram a morar no convento. Desde então, muitos frades passaram pelo local que hoje abriga três freis. Há quatro anos, o convento iniciou uma nova campanha de restauração. O projeto aprovado pelo Ministério da Cultura tem como base a Lei Rouanet e aguarda parceiros para financiar a obra orçada em R$ 3 milhões. Os prédios do convento e da igreja são tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) de São Paulo. "O primordial são as trocas das telhas (não originais), o madeiramento que está com cupim, a parte elétrica, hidráulica e estrutural", finaliza frei Sérgio.

Arquitetura colonial
O Convento de Nossa Senhora do Amparo apresenta características comuns às igrejas franciscanas da época colonial. Sua construção em pedra e cal foi feita por mão-de-obra escrava.
A igreja segue o estilo conhecido como 'barroco-pobre', com uma igreja central, a ala esquerda formada pelo claustro, e a direita com a Capela da Ordem Terceira, hoje desativada. A igreja possui o alpendre com três arcos, frontão triangular com volutas e torre lateral. Apesar de ter sido modificado internamente, externamente preservou-se a arquitetura original.
Os franciscanos eram conhecidos pela riqueza de suas igrejas, principalmente pelos trabalhos em ouro nas madeiras. Há cinco décadas, o convento abriga a Paróquia Nossa Senhora do Amparo. Todos os dias, às 19h, são celebradas missas na igreja. Aos domingos, há missas às 9h e 19h. Diversas peças sacras podem ser admiradas no seu interior.

A vocação franciscana
Segundo frei Sérgio Sebastião Pagan, a vocação franciscana se baseia no tripé: religiosidade, saúde e educação. "O franciscano é um apóstolo, evangelizador, precisa dar o testemunho pela palavra e pelas ações. Não vivemos enclausurados como os monges, mas dividimos a vida em momentos de oração e evangelização".
O Brasil está dividido em sete províncias franciscanas. "Como Província, nossa vocação se realiza dentro da igreja, do mundo e no interior de nossas fraternidades. Ali, ela se alimenta e toma corpo. No entanto, a vocação franciscana é essencialmente reconhecida pelo testemunho de vida. Sem a caridade evangélica, em vão seria o esforço dos frades e desfocada estaria sua forma vital".

Serviço
Convento de Nossa Senhora do Amparo. Construção em pedra de meados do século XVII.
Rua Martins do Val, s/n, bairro São Francisco, a 4km do Centro de São Sebastião.

O início
No retorno da viagem aos confrades do Sul do país, no ano de 1657, o frei Pantaleão Batista parou na cidade de São Sebastião,
mais precisamente na Vila Itararé, assim chamada por causa do rio com esse nome, que banhava suas terras.
A pedido dos moradores da Vila Itararé, Pantaleão aprovou a construção do convento franciscano, com o nome de Convento Nossa Senhora do Amparo, em 9 de agosto de 1658.

Prefeito anuncia projeto de subsídio do transporte coletivo para reduzir tarifas e ampliar isenções

São Sebastião - Em entrevista coletiva à rádio local, na manhã desta quarta-feira (19/11), o prefeito de São Sebastião, Dr. Juan Garcia, anunciou a proposta de subsidiar o transporte coletivo no município. Além de tornar a tarifa mais barata para a população, a medida possibilitará que todos os estudantes e os idosos a partir de 60 anos utilizem os ônibus de graça.
De acordo com o prefeito, o investimento da Prefeitura deve girar entre R$ 200 mil e R$ 300 mil/mês. O projeto ainda está sendo elaborado na Secretaria Municipal da Fazenda e deve ser enviado à Câmara dentro de dez dias. Dr. Juan ressalta que a tarifa subsidiada já é uma postura que passa a ser adotada por outros municípios, como São Paulo.
A tarifa que hoje custa R$ 2,50 em grande parte das linhas da cidade, por exemplo, cairia para cerca de R$ 2,00. Segundo Dr. Juan Garcia, a tarifa subsidiada também faz parte de um conjunto de ações que visam preparar o município para os reflexos da crise financeira mundial. Entre as medidas já anunciadas pelo prefeito da cidade estão: redução de taxas e tributos, além do abono de Natal para os servidores públicos municipais. Todas dependem de aprovação da Câmara Municipal.
(Fonte: Prefeitura Municipal de São Sebastião)
 

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Caçandoca: Um 'refúgio' especial
A bela praia de Ubatuba, no Litoral Norte, abriga uma das mais de 35 comunidades quilombolas do Estado de São Paulo.
Bruna Vieira


Ubatuba - Quilombo é o local de refúgio dos escravos negros brasileiros no período colonial. Eles representaram uma das mais importantes formas de resistência à escravidão. Buscavam a liberdade e uma vida com dignidade, resgatando a cultura que deixaram na África. Embrenhados nas matas virgens, as comunidades se transformaram em prósperas aldeias, dedicando-se à economia de subsistência.
O Quilombo da Caçandoca em Ubatuba foi reconhecido, em laudo antropológico em 2000. Porém, a história dessa comunidade remete ao ano de 1858, quando o português José Antunes de Sá comprou a Fazenda Caçandoca.
A fazenda abrigava uma casa-sede e um engenho, sendo dividida em três núcleos administrativos. Cada filho de José Antunes de Sá: Isídio, Marcolino e Simphonio administrava um núcleo. Eles tiveram vários filhos "bastardos" com as mulheres negras que trabalhavam nas terras, além dos legítimos, frutos de casamento com mulheres brancas.
A fazenda produzia café e aguardente de cana-de-açúcar. Foi desmembrada em 1881, data do primeiro inventário do local. Filhos e netos legítimos do proprietário da fazenda herdaram parte das terras, mas nem todos permaneceram nelas. Os que permaneceram, ficaram na condição de posseiros, com autorização para administrar seu próprio trabalho.
Os filhos bastardos e os ex-escravos deram origem às 32 famílias que hoje formam o Quilombo da Caçandoca, com cerca de mil remanescentes. As famílias compartilham uma área de reserva florestal, administram hortas caseiras e até pouco tempo atrás faziam o manejo do palmito 'jussara'.
As casas das famílias não têm luz elétrica nem água encanada. São feitas de pau-a-pique, de tábuas cobertas com calhetão ou de alvenaria. A comunidade sobrevive da pesca, marisco e agricultura familiar, voltada para o autoconsumo. Outra parte das quilombolas faz serviços domésticos em casas de veraneio nas praias vizinhas como Pulso, Caçandoquinha, Bairro Alto, Saco da Raposa, São Lourenço, Saco do Morcego, Saco da Banana e Simão.
Até meados da década de 1990, havia na comunidade duas escolas municipais de Ensino Básico. Elas foram fechadas sob a alegação de que o número de alunos era insuficiente. As poucas crianças que freqüentam escola precisam caminhar até a praia do Pulso e seguem com um ônibus até o bairro da Maranduba. Ainda hoje, a reabertura das escolas é reivindicada pela comunidade.
Outros problemas na comunidade tiveram início na década de 1970 com a construção da rodovia BR-101, que interliga a cidade de Santos à capital do Rio de Janeiro. Quilombos foram expulsos da terra. Hoje, os 890 hectares do território quilombola na Caçandoca, estão sendo disputados por uma imobiliária.
As cerca de 50 famílias do Quilombo de Camburi, também em Ubatuba, enfrentam as mesmas pressões para deixar as terras. Eles ocupam há aproximadamente 150 anos, uma área localizada na divisa com a cidade de Paraty.

Preservação da cultura quilombola
"Os quilombolas defendem o território e os costumes de seus ancestrais", revelou Antonio dos Santos, presidente da Associação dos Remanescentes da Comunidade do Quilombo da Caçandoca.
Os costumes religiosos no quilombo da Caçandoca estão sendo resgatados com a participação da comunidade na procissão marítima da Festa do Divino. Outras festas comemoradas são de São Benedito (santo negro), São João, Santo Antônio e São Pedro (padroeiro dos pescadores)."Até os anos 60, tinha festa o ano todo na comunidade. Começava com a cantoria de reis no natal, passando pelo primeiro dia do ano e no dia 7 de janeiro, iniciava a folia do Divino. Este período era sagrado. Os quilombolas deixavam de fazer mutirão – trabalhar junto numa mesma roça – para homenagear os santos. A reza durava nove noites e na última acontecia a festa com as danças que iam até o dia clarear", afirmou Antônio. As danças eram o bate pé, ciranda, moçambique e dança do chapéu. "Tinha fogueira, doce de mamão e abóbora e mandioca assada".
Algumas mulheres da Caçandoca fazem artesanato para vender na cidade. São colchas e panos de enfeite feitos com retalhos, a palha da banana se transforma em balaios e descansos de panela, as cortinas são enfeitadas com conchas e a bolsa é produzida com 'anel' de latinha. A arte é ensinada de mãe para filha.
A maioria das casas da comunidade, feitas de parede de taipa e cobertura de sapê, tem cama de bambu e colchão de tábua. Os utensílios domésticos são de barro e ferro. O pilão ainda serve para amassar o café. "A linha de pesca era tirada do tucum do coco e as cordas grossas para puxar a rede eram de cipó. Só precisávamos comprar querosene e sal para sobreviver", descreveu Antônio que recebia confirmação da esposa Gabriela dos Santos.
O primeiro projeto coletivo da comunidade, uma horta comunitária, está em andamento. "O mais importante é este sentimento de coletividade. Estamos resgatando o modelo de produção de 'meia', no qual o quilombo dono da roça convocava os demais para trabalhar em sua terra por determinado tempo. Na colheita, metade da produção ficava com o proprietário da terra e a outra metade, era distribuída pelos trabalhadores que manejaram a terra. Sozinho, um quilombo não pode nada", confirmou Antônio dos Santos.
Os quilombolas fizeram curso de capacitação para produção e comercialização de mel e polpa do palmito jussara. O Incra (Instituto Nacional de Colonização da Reforma Agrária) patenteou os dois produtos.

Quilombo no Brasil
O Brasil chegou a ter centenas de quilombos no período colonial. A maioria não sobreviveu aos ataques dos senhores das fazendas. O quilombo mais famoso foi o dos Palmares, que reuniu em terras alagoanas, mais de 50 mil escravos fugidos, em pleno século XVII.
O líder negro Zumbi, chefe indiscutível do Quilombo dos Palmares, após anos de combate, foi morto em 20 de novembro de 1695. Seu nome entrou para a galeria dos heróis 300 anos depois, quando, em 1995, a data de sua morte foi adotada como o Dia da Consciência Negra.
Atualmente, há mais de 2.200 comunidades remanescentes de quilombos no país. No Estado de São Paulo existe mais de 35, a maioria na região do Vale do Ribeira. A formação desses quilombos não se deu somente pelas fugas de escravos que ocuparam terras livres e isoladas, mas também por heranças, doações, recebimentos de terras como pagamento de serviços prestados, simples permanência nas terras ou compra das mesmas.
A questão quilombola entrou na agenda das políticas públicas com a Constituição Federal de 1988. O Artigo 68 defende "aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida à propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos títulos".
Foi neste período que a comunidade do litoral norte paulista se organizou e formou a Associação dos Remanescentes do Quilombo da Caçandoca, visando participar do processo de reconhecimento e titulação de suas terras, tarefa realizada pelo Itesp.

Curiosidades
A palavra 'quilombo' tem origem africana, da língua banto (kilombo) e significa acampamento, fortaleza de difícil acesso, onde negros que resistiam à escravidão conviviam com brancos pobres e indígenas. O banto teve origem em países africanos como Angola, Congo, Gabão, Zaire e Moçambique.
A palavra 'Caçandoca', apesar de ser relacionado à casa devido ao sufixo "oca" (casa em tupi-guarani), significa "gabão de mato" numa referência ao país do centro-oeste africano Gabão.
O que define um quilombo é o movimento de transição da condição de escravo para a de camponês livre. Suas duas principais características não foram o isolamento e a fuga e sim a resistência e a autonomia.

Serviço
A Associação dos Remanescentes da Comunidade do Quilombo da Caçandoca está localizada na estrada Benedita Luiza dos Santos, 1474, Caçandoca. Contatos com o presidente Antonio dos Santos ou sua esposa Gabriela pelo telefone (12) 3848 1669.

Ciclistas pedalam de São Paulo até Ubatuba neste feriado
Integrantes da Bicicletada chegam na sexta-feira na cidade. Grupo propaga a bicicleta como meio de transporte e em Ubatuba conhecem as ações desenvolvidas pela Prefeitura incentivando o uso da bicicleta

Ubatuba - Cerca de 30 ciclistas, integrantes da Bicicletada, chegam a Ubatuba na próxima sexta-feira, 21. Nesta quinta-feira, 20, eles partem de São Paulo e seguem até Taubaté de onde partem às 6h30 do dia seguinte com destino a Ubatuba. A chegada em Ubatuba está prevista para às 18 horas. Ainda na sexta-feira, às 20 horas, os ciclistas participam de uma reunião com Marlon Lopes, Assessor de Gabinete da Prefeitura, que explicará as ações da atual administração voltadas para o uso da bicicleta. “Falaremos sobre a integração da bicicleta em nosso dia-a-dia e as ações desenvolvidas pela Prefeitura, como por exemplo, as ciclofaixas”, disse o Assessor.
No sábado, os ciclistas participam de um passeio ciclístico, saindo da ciclovia do Itaguá, passando pelas ciclofaixas da rua Conceição e da avenida Professor Thomaz Galhardo e seguindo para a avenida Iperoig. A largada está prevista para às 10 horas e qualquer pessoa pode participar.
De acordo com Ana Paula Neumann, uma das participantes do movimento, a idéia é difundir a bicicleta como um meio de transporte. “A bicicleta é para nós um meio de transporte como outro qualquer, tanto é que viajamos com as nossas bicicletas. Nosso objetivo é incentivar esse meio de transporte”, explicou a ciclista. Os ciclistas ficarão alojados na escola municipal Altimira Silva Abirached.

A Bicicletada
A Bicicletada é um movimento no Brasil e em Portugal inspirado na Massa Crítica, onde ciclistas se juntam para reivindicar seu espaço nas ruas. Não existe um objetivo central, mais diversos objetivos sempre decididos pelos participantes. No entanto um mote em geral une os participantes. A Bicicletada serve para divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.
A Bicicletada, assim como a Massa Crítica, não tem líderes ou estatutos, o que leva a variações de postura e comportamento de acordo com os participantes de cada localidade ou evento. Dentre a pluralidade de motes, está o lema "um carro a menos", usado principalmente para tentar obter um maior respeito dos veículos motorizados que trafegam nas ruas saturadas das grandes cidades. Outro slogan levantado é o "Nós somos o trânsito". A idéia é deixar claro aos motoristas que a bicicleta é apenas mais um componente da mobilidade urbana e que merece o devido respeito. (Fonte: Prefeitura Municipal de Ubatuba)

Poesia Topo

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Poema para Dona Laurentina, minha mãe.

Mãe,
a senhora sempre acreditou
que quem cultiva flores
tem maior probalidade
de colher felicidade,
mas no último dia 14
a tristeza vicejou em seu jardim,
que até os passarinhos
cantaram mais baixinho.
Só o bem-te-vi
cantou até o final
a esperança de bem te ver.
Foi de suas plantas
que eu trouxe um último buquê
de rosas e flores da ressurreição
que fizeram questão de florescer
E para mitigar a saudade
que não para de doer
consola-me saber
que a primavera é uma boa época
para uma jardineira falecer.

Convido os amigos e parentes
para a missa de sétimo dia
em memória de D.Laurentina
minha primeira professora de poesia.
Local: Igreja Matriz de Ubatuba
Data: 20/11
horário: 19h 30 min


Félix Cabral

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