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Ronaldo Dias

A COMTUR ainda é uma criança

Há anos atrás, acreditávamos que a nossa economia sazonal, já com sinais de fadiga, necessitava de uma entidade que com muito mais agilidade e poder de organização do que o poder público, viesse a contribuir com o desenvolvimento e os destinos econômicos do município. Absorveria inclusive, as funções da Secretaria de Turismo Municipal, com vantagens.

Uma empresa de economia mista. A COMTUR. Sua aprovação pela Câmara, foi um parto. Mesmo porque, como sempre, havia “disputas” políticas, entre políticos, que nela viam vantagens e proveitos próprios, bem como entre os demais envolvidos, que reivindicavam a paternidade da “criança”.

Assim, não foi um parto normal, foi um parto muito difícil, e como tal deixou muitas seqüelas. Seqüelas que o trabalho sério de seus dirigentes, de seus diretores e funcionários, somado ao sábio tempo, corrigiria. Afinal, em outros municípios, principalmente do sul do país, (de onde saiu a idéia de sua fundação) empresas semelhantes, tornaram-se marcos de organização e desenvolvimento econômico e turístico. A prosperidade do setor nestas cidades era de dar inveja aos desatentos. Os estatutos da COMTUR, constantes do contrato social, são criteriosos e foram muito bem elaborados, por um desembargador conhecedor prático das atividades de empresas de economia mista.

A Empresa se arrasta, como tem se arrastado até hoje, pela falta da regulamentação de suas atividades, previstas nos estatutos de forma genérica. Essa regulamentação depende de legislação específica a ser proposta pela Câmara Municipal depois de amplamente debatida com os setores envolvidos. Sem a normatização legal de suas atividades continuará apenas arrastando. Lamentável.

A COMTUR no entanto, ainda é uma “criança”. Infelizmente, não são muitos que conhecem as fases para o seu desenvolvimento. Os que conhecem e acreditam no seu futuro, contribuem. Os que são cegos, não respeitam. Os maldosos, já querem “tirar” proveito da “criança”, mesmo que seja de colo. Com certeza nunca serão “pais”. Estes, não imaginam o que uma “filha” bem preparada pode trazer para o seio da “família”.

As empresas nascentes, como as crianças, carecem de orientação e cuidados especiais. Seus dirigentes, precisam cautela nas ações. Cuidados com o que falam, afinal, elas aprendem a repetir e assim agem e aprendem a se comportar. Nestes pontos, infelizmente, não tivemos muita sorte.

Não se deve punir a empresa, como se tem feito, por atitudes baseadas em “exemplos” que foram dados. Em “ordens” que foram cumpridas. Principalmente quando advierem do “pai”.

Uma empresa, não pode ser acusada. A responsabilidade de sua postura perante toda a sociedade é, e sempre será, exclusivamente do seu dirigente maior. Seu acionista majoritário. Nas sociedades civis, dos sócios ou representantes legais. Nas anônimas e de economia mista, do acionista controlador. A COMTUR possui um estatuto e ele deve ser fielmente seguido, bem como suas atividades, necessitam de urgente e detalhada regulamentação. Isto sim! Isto é sensato.

Portanto, se faz necessária uma reflexão. A nossa COMTUR nunca foi culpada, e nunca será. Ela foi “usada” e poderá ser “usada”. Digo nossa COMTUR, porque ela é de todos nós. Pertence ao povo de Ubatuba. Se foi usada em desacordo com os seus objetivos a culpa pode ser até de todos nós. Menos dela. Ela só fez o que “mandaram” ela “fazer”. É até muito obediente. Quem manda, e pode mandar, é o responsável. Quem deve fiscalizar o mandatário também. Ou não é? Então cautela é sensatez. É bom senso.

O fim da COMTUR, é um retrocesso. Com certeza, fará parte da nossa história econômica, a ser estudada no futuro não distante, em nossas escolas, por nossos filhos. A não ser, que seus pretensos algozes, tenham muito mais e muito melhor a propor ou a oferecer. Imaginem como serão sempre lembrados? Como aqueles que arrancaram a raiz desta oportunidade que tivemos. A raiz da oportunidade de um futuro melhor não só para os seus, mas para todos os filhos desta terra.

Vamos colocar a COMTUR para trabalhar. Vamos dar todas as condições possíveis. Vamos cobrar dos novos vereadores, sua regulamentação. Vamos também, é claro, participar e fiscalizar. Não podemos exigir comportamento adequado de uma “criança” que não teve educação. Que o novo prefeito que conhece por experiência própria, o potencial da COMTUR, dê todas as condições, ao seu indicado presidente, para continuar o árduo trabalho de viabilização da empresa. Por outro lado, o presidente indicado, com preparo técnico estatutário exigido, com visão empreendedora, consciência turística e a responsabilidade que o cargo impõe, possa fazer a COMTUR amadurecer e cumprir seu papel de levar Ubatuba, definitivamente, ao seu destino vocacional.

Ubatuba, 28/12/2000

Ronaldo Dias

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