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Ronaldo Dias

Água e Óleo

Tenho acompanhado as notícias das grandes oportunidades que o turismo nacional passou a ter em virtude dos cancelamentos das viagens ao exterior, principalmente aos destinos dos EUA, preferidos dos brasileiros. Afora os novos resorts do nordeste (a maioria importada e por nós financiados através do BNDES), poucos são os destinos preparados para receber esta nova fatia do mercado interno.

Tais clientes, acostumados com o excelente nível de infraestrutura, instalações e serviços de primeiro mundo, dificilmente se acomodarão, confortavelmente, ao que temos a lhes oferecer. (BEM) acostumados, identificarão nossas inúmeras carências. O que é pior, “sairão falando” e os resultados do “boca à boca” conhecemos. Essa clientela, esclarecida, sabe avaliar. Sabe medir. Sabe concluir. O que dirão de nossas estradas de acesso? Do trânsito caótico que se implantará? O que dirão da nossa “organização” para recebe-los? Como se sentirão dentro da paisagem que permitimos sermos transformados? Estarão dispostos a serem tratados como turistas de “masssa”? Claro que não!

Essa fatia de mercado, busca, e esta disposta a pagar, por exclusividade, segurança, tranqüilidade e serviços de padrão. Enquanto pensarmos que a nossa clientela é apenas a que assiste ao programa do Ratinho (e acharmos que isso é o máximo) estaremos totalmente na contramão do turismo que podemos. Precisamos de todos, sim. Claro. De todas as classes de turismo. Mas temos (ainda) espaços disponíveis para uma reorganização. Não podemos continuar insistindo, insanamente, em misturar água e óleo. E olhem, os insistentes, não adianta nem mesmo chacoalhar.

Não podemos mais perder, ou destinar (erroneamente) espaços nobres sem o devido planejamento. Não podemos fazer vista grossa a ocupação desordenada acima da cota 40, sem o devido preparo (pelo menos) da infraestrutura necessária. Não podemos continuar ocupando (como área urbana) acostamentos das vias de acesso. Não podemos em nome do tudo pelo social (disfarce utilizado para favores políticos) transformar nossa cidade em um camelódromo com todos seus acessórios pertinentes, para “atender” o turista. De acordo com a isca é o “bicho” que vem!

Não podemos continuar inertes, abrigando hordas de mendigos e doentes mentais despejados pelos municípios vizinhos. Não podemos continuar a permitir que nossas ruas e avenidas centrais sejam loteadas e administradas pelos tomadores de conta de automóveis. Muito menos palco para apresentação dos “carros discotecas”.

Com certeza, não há recursos para grandes obras, mas o que depender apenas de ação e vontade política, é o mínimo que podemos e devemos oferecer neste verão que se aproxima. Vamos tirar lições desta temporada. Vamos pesquisar, perguntar, fazer estatísticas, observar. Será de grande valia para um planejamento que se faz mais do que necessário. Assim, quem sabe, em um futuro próximo possamos organizadamente atender e receber, água e óleo.

Ubatuba, 07/12/2001

Ronaldo Dias

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