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Ronaldo Dias

Esta semana, enviei ao Litoral Virtual uma matéria semelhante de Fortaleza. Agora, a Capital da Esperança, com os mesmos "sintomas". Não será mais possível um futuro sem planejamento. Mesmo para uma cidades pequenas como as do Litoral Norte.

Ronaldo Dias

A hotelaria de Brasília

A hotelaria brasiliense faz parte da história da cidade. Dos que estão em Brasília há mais tempo, quem não se lembra do Brasília Palace Hotel, local aprazível, onde colocávamos os carros embaixo das marquises e podíamos curtir a boate à beira da piscina, olhando para o lago? E o bar do Hotel Nacional, ponto de encontro de políticos e intelectuais da cidade? E o elevador panorâmico do Hotel Eron, com sua boate Privé, por onde desfilaram ex-Presidentes? A Nepenta no último andar do Hotel Torre fez a alegria dos grisalhos de hoje.

A hotelaria sempre exerceu um forte atrativo nas pessoas. O ambiente, o ponto de encontro, o glamour. É, sem dúvida, um lugar onde as pessoas se sentem bem e transportam um pouco da intimidade de suas casas para compartilhá-la com a de outro local fora de seu domicílio. Cada hoteleiro certamente tem milhares de histórias e casos para contar, ainda que nessa profissão prevaleçam os três sentidos da privacidade: cego, surdo e mudo.

A hotelaria dos anos 60 aos 80 cresceu como as árvores, se tornando mais frondosa e aos poucos oferecendo seus frutos. Dos anos 80 aos 90 andou experimentando novos parceiros, estranhos no ninho da hospedagem, reconhecidos em outras plagas, trouxeram inovações contestáveis ao mercado: a figura do flat e do apart hotel que sequer eram respaldados pela legislação. Foi ainda no último governo militar que o item “embasamento”, construção complementar fora dos limites do lote, sustentada sob pilotis, nasceu para dar guarita a um recém-nascido apart hotel no Setor Hoteleiro Norte. Negócio de oportunidade, logo seguido por outros dois ases do empresariado imobiliário que deu força e coragem ao saudoso Marchetti para empreender um majestoso hotel com base nos pilares da promessa da renda proporcionada pelo mercado, já experimentado pelos três antecedentes que saíram vitoriosos.

A hotelaria tradicional conviveu com os novos parceiros, de tal forma que já os considera hoteleiros de igual padrão, mas apanhou ao ver o bolo do mercado repartido entre mais comensais. A nova hotelaria de Brasília é aquela de muitos donos. Dos anos 90 a 2000 os antes novos parceiros viraram hoteleiros e de 2000 a 2003 sofrem junto com os pioneiros das mesmas mazelas que, querendo ou não, causaram ao mercado há 15 anos.

Hoje a palavra de ordem é a superoferta de leitos no mercado. Para não deixarmos de competir em âmbito nacional, nada devemos aos problemas de São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e outras célebres capitais. A especulação imobiliária e a promessa de rentabilidade adicional fizeram crescer o mercado hoteleiro, sem estudos de viabilidade confiáveis que tivessem justificado novos empreendimentos.

Para os leigos compradores desses imóveis, a promessa da alta rentabilidade saltou aos olhos ávidos. Agora estão todos também ávidos por resultado. É até provável que os novos administradores desses hotéis logrem êxito nos índices ocupacionais, mas causando um terremoto na hotelaria já estabelecida. A promessa de novos empregos acaba por gerar desemprego, queda nos serviços e desequilíbrio nas finanças.

Em janeiro de 2000 a hotelaria avisou às autoridades que se nada fosse feito, em 2003 teríamos o dobro de leitos e a mais baixa ocupação da história hoteleira. Há 5 anos os hotéis não aumentam suas tarifas, a diária média cai a cada mês e os custos aumentam. Nos países evoluídos a culpa é do 11 de setembro. Na nossa cidade não há culpados, o que existe são olhos vedados para a realidade que passa a jato.

Eraldo Alves da Cruz é Vice-Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis

Artigo publicado no Jornal de Brasília, Terça-feira, 15 de abril de 2003, página 18, coluna "opinião"

Ubatuba, 17/04/2003

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