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Ronaldo Dias

Beira Mar

As palavras acima sempre indicaram uma sensação prazerosa. Estar a beira mar era invejável. Agradável, bonito, fresco, relaxante. A probabilidade de todos os acontecimentos eram, com raríssimas exceções, sempre agradáveis. No máximo uma insolação cheia de bolhas e ardidos ou uma gostosa ressaca.

Tudo mudou! O que fizeram com a Beira Mar? Quem são os envolvidos? Quem são os culpados? Mataram a Beira Mar? Quem são os responsáveis? Quem serão os culpados? A Beira Mar ou o Beira Mar? Nossa Beira Mar? É. Estão matando. Infelizmente. Nesta segunda fui, após longa data, até Caraguá. Fiquei assustado com a paisagem “construída” pelo homem a beira mar. A começar pelo estado lastimável da estrada, esburacada, cheia de depressões, lombadas e sem acostamento, rodeada por mato já adulto. As construções, tanto as residenciais quanto as comerciais, mal ajambradas, de péssimo gosto arquitetônico, algumas abandonadas ou com esta aparência, emolduram o ângulo de visão do primeiro plano.

Para quem chega pela primeira vez, um turista acidental, poderia qualificar o tal ângulo de visão como tétrico. Isso, se o dia estiver ensolarado. O total abandono viário, muito diferente das estradas do interior, e a falta de normatização e/ou fiscalização da ocupação dos espaços estão deixando na nossa paisagem e no meio ambiente, cicatrizes permanentes. Mesmo não fosse a nossa única vocação o turismo, tal situação é inaceitável, até mesmo, para os mínimos padrões de urbanidade.

De pouco adiantara todos os esforços, solitários ou conjuntos para a divulgação da região como destino turístico sem que providências (não tão onerosas) imediatas sejam tomadas de modo a sanar este verdadeiro retrato do inferno. O contraste com o mar, a praia e a Mata é tanto, que imagino os protagonistas da construção desta “imagem”, desta deturpação da nossa maravilhosa paisagem, desta poluição visual, sejam totalmente cegos. Até mesmo de espírito.

É difícil imaginar uma “restauração” voluntária, provocada por “pesos” nas consciências. Nem mesmo a longo prazo. Resta apenas as atitudes coercitivas, contundentes e com onerosa punição pecuniária aplicada pelo poder público. Se e quando sensibilizado. O que esta se fazendo com a nossa paisagem “beira mar” é acabar com aquela sensação prazerosa, residente no sub consciente das pessoas, aquela mesma sensação que nos tem dado o pão a cada (vez mais magra)temporada. A nossa beira mar esta aí, para quem quiser ver, desaprender, chorar e lamentar. Quase um BANGU. Um Bangu a Beira Mar.

Ubatuba, 20/09/2002

Ronaldo Dias

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