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Ronaldo Dias

Rios, caminhos e encruzilhadas

O crescimento demográfico provocado pela migração desordenada tem sido para nós as causas de inúmeros problemas que, por falta de planejamento e ou restrições de ocupação, tornam-se praticamente insolúveis e vão se acumulando sobre as mesas ou nos findos das gavetas de quem decide, em pautas protelatórias.

Esta semana, o alvo dos semanários foi o rio Itamambuca. Os problemas lá encontrados, não são diferentes dos demais rios do município. O Grande, O Pereque-Mirim, o Escuro, a Barra da Lagoa e os demais. A origem dos problemas destes cursos dágua são os mesmos. A ocupação ilegal e/ou desordenada de suas margens, geralmente por pessoas de baixa renda, migrantes e/ou oportunistas de plantão, travestidos de “loteadores” de áreas de preservação e/ou de Parque.

O Prejuízo ambiental é de monta. Lixo em quantidade e esgotos domésticos “in natura” são lançados no curto caminho entre as nascentes e o mar. O Resultado, escondido durante o inverno, explode, mostrando todo seu potencial poluidor, nas primeiras chuvas do verão até as águas de março. Não conheço o catedrático Plano Diretor, muito menos não sei se está sendo aplicado. Sei apenas que teve uma gestação longa e um parto difícil e complicado. Assim, já que não há normas, ou não são aplicadas e/ou fiscalizadas, as ocupações são feitas e facilitadas, de acordo com o gosto e a vontade do “cliente”. Tudo pelo voto, em nome do social.

As dificuldades são deixadas apenas para os portadores de CNPJ ou CPF e endereço fixo. A ocupação sem planejamento fora raríssimas exceções ( a Praia Vermelha do Sul, por raro exemplo) tem acontecido nos Bairros – Praias. São ruelas estreitas e sinuosas, becos sem saída, construções e muros que invadem o que se pensa ser e se usa com “VIA PÚBLICA” ou acesso a infraestruturas turísticas (hotéis, pousadas, restaurantes, etc). Quem não conhece, vide: Picinguaba, Almada, Enseada, Pereque-Mirim, Fortaleza, Maranduba.

Não sei se não seria melhor nomear as corretas. A ocupação comercial das praias (área pública) também não fez por menos e, está se fazendo MAIS. Na Lagoinha, por exemplo, para não citar as beiras da estrada, com conivência do DER (que tanto implicou com as placas comerciais) lá, já se encontram, bem na praia, de frente para o mar, barracas de pau e lonas plásticas coloridas, cujo voto dos proprietários, em breve, valerão um Padrão. Ou mesmo aquele barraco construído do lado do mar, na ponte do Pereque-Mirim.

O rio Itamabuca (e todos os demais) os mangues, os mananciais, a Mata, o visual, o silêncio, tem de ser preservados a qualquer custo. Mesmo que seja social. O benefício para alguns (mesmo carentes) devem passar por soluções mais inteligentes do que a simples permissividade conivente. Assim vamos por estes caminhos. Caminhos tão conhecidos, que qualquer “Zé Mane” sabe onde iremos chegar. Para mostrar serviço é mais fácil, de vez em quando, se sacrificar um bode. Sim, daqueles expiatórios. De preferência grande. Assim, em vez de crescermos, vamos, doentes, inchando. Desorientados, sem planejamento, vamos por velhos e marcados caminhos, como as ruelas e encruzilhadas da Pincinguaba, na vã esperança que desta forma, que um dia “chegarmos lá”.

Ubatuba, 11/03/2002

Ronaldo Dias

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