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Ronaldo Dias

São outros carnavais

CANCUN, a fórmula turística que continua dando certo! Continua, possivelmente, o maior fenômeno turístico das últimas duas décadas. Reforçaram os investimentos na área de infra–estrutura receptiva, novos hotéis, equipamentos de lazer e templos de consumo (leia-se grandes shoppings). Ao contrário de investir no marketing do destino, trabalha agora com o que batizou de marketing de experiência, tudo, COM BASE EM CONCEITOS, grifo ( EXAGERADO) meu.

Em seus 22Km de orla marítima (da Itamambuca ao Camburi?) 40 hotéis, com 25.000 apartamentos (50.000 pessoas. SÓ!) e nada menos do que 195 vôos diários. Nem por isso (40 grandes hotéis) deixa de receber 2,8 milhões de visitantes ao ano! Para cada um, um espaço próprio (novo grifo). Cancun Místico, destaca sua história pré–colombiana e a cultura Maia; Cancun Romance, com base na idéia de que o lugar é ideal para casais em lua de mel; Cancun de Eco–Aventura, para jovens e grupos de incentivos, e o Cancun Explorer, que explora novos sítios arqueológicos e a face mais cultural do lugar.

A força turística de Cancun, está na combinação de alguns fatores. A infraestrutura ideal de hospedagem e consumo junta-se a um artesanato de grande originalidade, ao folclore mexicano herdado das culturas Maias e espanholas, bandas populares, mariachis, balés folclóricos, tudo reunido em datas comemorativas, e exploradas turisticamente, dentro do calendário anual de eventos. Na verdade, para quem conhece, são 3 “Cancuns”. Uma, a Cancun urbana, uma pequena cidade ( tipo S. J. dos Campos) com centros de compras, hospedagens e diversões mais populares. Cancun da Via Hoteleira (e Cozumel) e a Cancun histórica.

Toda esta introdução foi para comentar, a notícia divulgada e alardeada do CARNAVAL de 12 dias! “ No PARAÍSO!”, como o objetivo de atração turística! Mais uma, daquelas, para o nosso paraíso suportar! Sabe, adoro o Carnaval. Acho Maravilhoso! Nunca, apesar dos insistentes convites da falecida amiga D. Nena da Mangueira, “saí” na AVENIDA. Não tenho o samba no pé! Simples não? Aprendi, com um crioulo doido, que Carnaval e samba é só pra quem sabe, não para quem quer. Vide Rio de Janeiro.

Imaginem então, fazer do Carnaval, um evento, uma atração turística!!! AQUI!!! Com minhas desculpas às boas intenções, BASEADAS EM QUAIS CONCEITOS?; o passado recente tem mostrado claramente, que eventos sonoros de milhares de WATTS, não são adequados as expectativas dos poucos turistas que ainda nos restaram. Prestam-se apenas, para tumultuar, ainda mais, a desorganização em que a cidade ainda se encontra.

Quantidade de pessoas em busca de diversão (GRÁTIS) não quer dizer qualidade, e enquanto não aprendermos ou mesmo admitirmos que fazer “ FILANTROPIA” para baderneiros e seus “satélites”, não atraem, e sim espantam (e espancam) os turistas (e seus filhos) vamos continuar com esse quadro, tão difícil de compreender e aceitar, para uma cidade como a nossa. Não vou descrever o “Quadro” porque meu teclado está desgastado das palavras que o compõem. Mas o quadro, está aí!!! Bem na frente de quem estiver pelo menos de OLHOS ABERTOS! Não vou também dizer para onde nos levarão esses “VELHOS CAMINHOS”. A criatividade, o conhecimento técnico, o profissionalismo e a responsabilidade devem nortear as ações para determinar o nosso NORTE ECONÔMICO. Está mais do que na hora de abandonar o barco das tentativas e erros.

Chega! Vamos colocar uma pedra no passado. Chega de BUMBO, CHEGA de música chilena dia e noite! Chega de quermesses! Chega de barraquinhas das corocas! Chega de lonas plásticas coloridas. Crescemos! Somos uma cidade. Fazemos parte da história do país. Temos Anchieta; temos artesanato e folclore; temos a Mata Atlântica, temos o mar, belíssimas enseadas, 74 praias, parques, rios, mangues, cachoeiras e a brava gente Caiçara! Temos passado mas não somos o passado. Há muito, deixamos de ser uma vila. Não somos mais um quintal de depósito das tranqueiras do Vale! Acordem!

Não é absolutamente nada disso que o prefeito esta querendo! Não foi esse rumo que ele traçou na reunião da Praia Vermelha. Muito pelo contrário. Conheço o Paulinho. Com certeza, o mentor (e seus seguidores) desses velhos e surrados caminhos, de outros carnavais, estão precisando de bússolas. Quem sabe, voltem ao rumo traçado. Ao insistir nesta trilha, já, já irão, como sempre, se perder. Vão, na linguagem carnavalesca, “ atravessar” o samba! Sem preparo; sem conhecimento técnico; sem profissionalismo e sem criatividade, o pessoal da batucada desafinada, irá ser convidado à dançar, muito em breve, uma valsa. Aquela... da despedida. Quem duvida?

Alguns dados desta matéria, referentes a Cancun, foram extraídos de uma revista turística. Todo o resto, é puro fruto da minha (e de tantos outros) indignação. Ubatuba SIM !

Ubatuba, 01/02/2001

Ronaldo Dias

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