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Ronaldo Dias

O Terrorismo Econômico

A forma que o terrorismo se apresenta em determinadas ações, as mais conhecidas seqüestros, explosão de carros bombas, explosões em locais públicos ou a mais recente, noticiada e violenta destruição das torres gêmeas de New York, não tem apenas o objetivo direto das destruições e das mortes provocadas. Seu mal maior é atingir a mais profunda psique do maior número de indivíduos que conseguir, inclusive com a própria divulgação pela mídia, do ato terrorista. Sentimo-nos assim, aterrorizados. Esse é o objetivo principal. Criar e potencializar o medo, o receio, a coação, a sensação profunda de perda.

Quanto maior a distância entre nós e o fato terrorista, o impacto psicológico é menor. Estamos acostumados apenas ao terrorismo que é noticiado, mas ele existe e se apresenta de outras formas, e está entre nós (vide as invasões do MST, por exemplo). Seus resultados, com maior ou menor intensidade pode nos atingir intima e sutilmente sem nos apercebermos do fato. Apenas sentimos e sofremos seus efeitos. Vou relatar aqui um desses atos, que recentemente sofri provocado por uma instituição bancária. Não vou falar que foi obra do gerente, por ele, é apenas o Kamikaze. As ordens vem SEMPRE de cima. O kamikaze (coitado) é o que fica A FRENTE.

A origem deste ato é a seguinte: (bem resumidamente) O tal banco (há uns anos atrás) recebeu uma cópia de uma liminar, que dava poderes de sócio (de uma empresa correntista) a uma determinada pessoa. Esta pessoa solicitou um cheque avulso, e preencheu o mesmo com a totalidade do saldo disponível informado. O Banco, além de fornecer o recibo de saque, pagou. Pagou o cheque (que sacava a totalidade dos fundos da conta da empresa correntista) apenas com a assinatura desta pessoa, não respeitando o contrato social que exige claramente DUAS assinaturas, cuja cópia (do contrato) o banco também tinha em seu poder. Não satisfeito, em uma segunda vez, transferiu (pasmem! sem autorização do titular) a totalidade do saldo da conta da pessoa física de um dos sócios (da empresa) para a conta da empresa, para que fosse efetuado um novo saque (também e novamente com apenas uma assinatura).

Após inúmeras tentativas e demoradas respostas evasivas, o banco (que todos sabemos não ser experiente no assunto) não assumiu seu erro e se recusou a devolver para as respectivas contas (mesmo sem juros e correções) o numerário que entregou (transferiu e entregou novamente) a outrem, equivocadamente. A partir deste momento, acredito, (sem julgamento prévio) o Banco é devedor. Quando questionado pelo correntista e pelo titular da empresa, não agiu com a mesma conduta coercitiva (que se conhece) de quando ele (banco) é o credor. Não. Fez tabula rasa de sua obvia obrigação de ressarcir. Na insistência tentou de todas as formas “cansar” o credor (um dos primeiros clientes da agência), para ver (quem sabe) se ele desistia da “cobrança”. Como os montantes são bastante representativos (para o cliente e não para o banco) a única alternativa (e a mais favorável ao banco) foi do cliente buscar na (morosa) justiça seus haveres.

Agora o TERRORISMO DO PODER ECONÔMICO: Notificado o banco da ação, recusou todas as operações de crédito, não do cliente, mas do filho dele!!! Correntista (com um excelente histórico de movimentação e cadastro mais do que suficiente, para sua pretensão crédito) e com CPF próprio. Simplesmente não teve a “aprovação” do tal crédito (para desconto de cheques) porque era filho de um correntista que teve que recorrer a justiça (entendendo que tem esse direito) para reaver o que o banco lhe retirou. Inacreditável? De forma categórica o gerente afirma que a tal medida (absurda e por orientação da MATRIZ segundo ele) é: “extensiva a todos os familiares do correntista, pai, mãe, esposa e filhos”.

Os bancos, como os serviços de comunicação são concessões federais, sujeitos a normas e legislações específicas. Mas são apenas concessões. Sabem que sua Carta Patente lhes dá (como vem dando nas últimas décadas) excedentes de poder econômico. Eles não têm advogados. Tem bancas deles para se defender de correntistas insistentes. O mais pernicioso (e que atinge tantos outros jovens empreendedores, como meu filho, e suas nascentes micro empresas) são estas atitudes prepotentes, neste país insano que proporciona aos bancos (cada vez mais eletrônicos e extintores de postos de trabalho) juros (legais) extorsivos que lhes rendem (ao contrário das Micro Empresas, que mais empregam) bilhões e bilhões de lucro sem produzir ao menos uma alfinete sem cabeça.

É esse TERRORISMO econômico, aplicado através de suas normas de conduta na relação cliente/instituição que faz deste banco um agente perverso. Um inibidor da razão (na cabeça de um jovem) que não consegue “entender” tal atitude (até, e porque não infantil) discriminatória. Será que essa Carta Patente proporciona a este Banco, a errônea sensação de que também possa, (impunemente) fazer ele, justiça? E o que é pior, aplica-la a todos os descendentes dos correntistas requerentes? Saibam que quando se trata de dinheiro, só ele mesmo é que pode estar SEMPRE A FRENTE. Para o meu filho este ato, foi uma aula. Uma lição de vida. Foi de graça e sem custos que esse banco narciso mostrou claramente para ele (meu filho) como não se deve agir na relação cliente/empresa. O cliente é a razão de ser de uma empresa. Não existe empresa sem clientes. Não é a empresa e sim o cliente que vem SEMPRE A FRENTE. Nunca é tarde para mudar.

Ubatuba, 09/10/2001

Ronaldo Dias

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